terça-feira, 31 de julho de 2012

Há tempo de rir e tempo de chorar

Incentivar a Tristeza no Culto?

A rebeldia contra o Criador entrou na humanidade através de Adão e contaminou a perfeita criação de Deus. Desde então, a humanidade caída, iludida em sua autossuficiência, tem procurado ultrapassar de todas as maneiras o problema do pecado e das suas consequências, as quais se estendem a toda a criação. A sua existência é negada por muitos, outros eufemizam-no e outros, ainda, têm procurado formas de se autojustificarem. Mas sabemos, pela Palavra de Deus, que somente em Jesus há cura para o pecado. Foi o sangue do seu Filho Amado que, ao ser derramado na cruz, deu, aos que creem no seu nome, a “redenção, a saber, a remissão dos nossos pecados” (Colossenses 1:13).
Uma das consequências imediatas do pecado é a tristeza. E se o pecado produz tristeza (de forma mais ou menos consciente) no coração de todo o homem e mulher criados, denunciado a sua condição natural de separação da glória de Deus (Romanos 3:23), quanto mais tristeza haverá no coração daquele que, tendo já nascido de novo, cai, excecionalmente, em pecado (1 João 3:6)?
Bom seria que, uma vez salvos por Jesus e selados com o seu Espírito Santo, nunca mais pecássemos. Contudo, até que Jesus volte, manter-se-á a luta entre as nossas velha e nova naturezas e, como Paulo, “o que [queremos], isso não [praticamos], mas o que [aborrecemos], isso [fazemos] (Romanos 7:15).
Há muitos que têm deixado as suas consciências tornarem-se insensíveis, pois habituam os seus ouvidos à Palavra de Deus, mas não deixam os seus corações se moldarem a ela (1 Timóteo 4:2). E esse é o perigo de não valorizar a tristeza causada pelo pecado em nossas vidas. A tristeza é, portanto, uma bênção no coração do crente que, por ter pecado, prejudicou o seu relacionamento com Deus.
De maneira que há tristeza que é para sentir: não é para minimizar com palavras reconfortantes, nem para encobrir com sorrisos forçados, nem para tratar com substâncias anestesiantes; há tristeza que dói tanto que passa da alma para o corpo porque é grande demais para ser contida; há tristeza que deve ser percebida e encorajada.
Não se trata de culpa, comiseração, nem remorso - a “tristeza do mundo”, que, por não ter origem na fé em Jesus que apaga as nossas transgressões, não resulta em salvação e, portanto, produz morte. Trata-se da tristeza que produz arrependimento, que surge como consequência da perceção de que ofendemos o nosso Deus, e que resulta em arrependimento e salvação (2Coríntios 7:9-10).
O salmista partilhou sentimentos de profunda angústia enquanto não confessou o seu pecado: o seu espírito pesou, o seu humor entenebreceu, os seus ossos se consumiam (Salmo 32: 1-6); a indignação de Deus era, para ele, como flechas cravadas em seu corpo; a ansiedade tomou conta dele; sentia-se esmagado, abatido, isolado e sem forças (Salmo 38:1-11). Ele estava física, emocional e espiritualmente doente.
A verdade é que o pecado é doença espiritual. E o seu principal sintoma é a tristeza. Portanto, não desprezemos a importância deste sinal de alarme que denuncia a necessidade de pedir perdão e restabelecer a intimidade com o nosso Deus, santo e compassivo.
O culto cristão deve enfatizar, então, a necessidade de buscarmos a Deus que nos sonda, que conhece o nosso coração e que perscruta cada passo da nossa vida, suplicando pelo discernimento de perceber o nosso pecado e, finalmente, de estarmos prontos a ser guiados pelo caminho certo, que é o arrependimento (Salmo 139:23-24). Felizes, então, seremos!




Por Luísa Roxo Couto

Sem comentários:

Enviar um comentário

A minha foto
Praia da Vitória, Azores, Portugal
Para a glória de Deus e edificação mútua.