quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Homens E Mulheres Invisíveis

Vou partilhar algo que tem ocupado recentemente a minha mente.
Que características deve ter o líder do ministério de adoração?

Em primeiro lugar, diria que o líder desta área de ministério deve ter uma vida de consagração e entrega a Deus. Ele busca o Senhor acima de tudo e toda a sua vida – as suas decisões, as suas prioridades e os seus relacionamentos, demonstram precisamente isso: obediência à Palavra (Salmo 119: 1-3).
Desta forma, não resta espaço para duplicidade. A autenticidade e a congruência são qualidades fundamentais, pois, não sendo perfeita, a sua vida é uma obra que o Mestre transforma e aperfeiçoa a cada dia, em submissão à Sua perfeita vontade. A forma genuína com que se apresenta, a profundidade da sua palavra e do seu exemplo, sem recurso a frases feitas ou qualquer registo de exaltação pessoal, é perceptível pela Igreja que confirma, assim, o seu ministério.
Daí surge um outro traço que deve marcar o líder e toda a equipa: eles são, primordialmente, servos. (É isso mesmo que “ministro” significa: servo.) O servo limpa o chão depois do almoço de convívio e visita o idoso da sua igreja com a mesma intencionalidade e dedicação com que canta no domingo de manhã porque fá-lo para o seu Senhor.

Em segundo lugar, daria importância aos dons.
Atenção à diferença entre dom e talento. Infelizmente, é frequente fazer-se confusão entre um e outro. Por exemplo, muitas vezes, nas nossas igrejas, ouvimos falar no “dom da música”. Sim, o bom ouvido, a capacidade de tocar e dominar um instrumento musical, de se expressar artisticamente através da composição e interpretação de música são dádivas do Pai (Tiago 1:17). Mas não é um dom do Espírito Santo de acordo com o ensinamento bíblico acerca dos dons (Romanos 12:6-8; 1 Coríntios 12:4-11; Efésios 4:11-13).
O talento é uma habilidade natural que pode ser desenvolvida e trabalhada, mas que, normalmente, nasce connosco. O dom é uma capacitação especial dada por Deus aos seus filhos, com o propósito de glorificar o Seu Nome e edificar o Seu corpo – a igreja. O líder, como bom servo (Mateus 25:14-30), aplica com fidelidade o dom ou os dons que Deus lhe deu. O ensino, a exortação, a sabedoria, a profecia, o discernimento, ou mesmo o evangelismo, têm um papel importante neste ministério.
Temos que admitir que o talento é fundamental. Ter aptidão musical, bom controlo e afinação vocal, boa noção de ritmo, etc., é determinante na liderança da equipa e na condução do louvor congregacional. Contudo, fossem estas as condições e bem poderíamos convidar o Elton John para este ministério na nossa igreja!
Na verdade, se a adoração é muito mais que música, também o ministro é muito mais que apenas um bom músico…

Finalmente, em terceiro lugar, e se pudesse resumir numa palavra as principais características do líder do ministério de adoração seria: invisibilidade. Passo a explicar. Quando a nossa vida está submissa à soberania de Deus; quando o Espírito Santo nos reveste e capacita para a Sua obra; quando abandonamos toda a pretensão (carnal) de realização pessoal e nos disponibilizamos para ser servos (Mateus 16:24); quando dizemos, como João Baptista, é necessário que ele cresça e que eu diminua (João 3:30)... nós desaparecemos: não somos o centro de nada e Deus é o centro de tudo.

São obedientes à Palavra de Deus; estão sensíveis à necessidade visceral que o povo tem dessa Palavra; foram avassalados pela imensidão de Deus e estão conscientes da sua condição diante dele; são eles próprios movidos a adorar; contagiam a igreja, levando-a a focalizar a sua atenção no único Deus do Universo, amando o Senhor de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento, e com todas as suas forças… (Marcos 12:30). São os homens e as mulheres invisíveis.

Por Luísa Roxo Couto

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Para a glória de Deus e edificação mútua.