terça-feira, 2 de março de 2010

Forma Ou Conteúdo?

Somos uma igreja pequenina, numa cidade pequenina, numa região ultra-periférica.
Facilmente igrejas como a nossa sofrem de graves problemas de auto-estima, o que parece ganhar uma dimensão ainda mais significativa quando se trata do ministério de adoração.
Ora vejamos.
O marketing eclesiástico actual não vende a nossa imagem.
Quando nos reunimos todos, somos quase cinquenta pessoas. Este número deixa-nos particularmente felizes. Contudo, o quadro final nada tem a ver com as multidões dos concertos dos Hillsong, nem com as mega igrejas que fazem quatro cultos por domingo.
E, depois, os nossos cinquenta não pertencem a qualquer grupo alvo específico... ele há desde bebés de colo até idosos; algumas pesssoas com bastantes rugas e mãos calejadas; outras em quem a frescura da juventude disfarça as marcas do sofrimento; todas humildes e trabalhadoras. Mais uma vez, uma imagem distante dos ares de sucesso dos panfletos que procuram promover uma imagem impecável do povo de Deus.
Nestas "igrejas de capa de revista" os grupos de louvor têm um desempenho de nível profissional que pode constranger o solitário aprendiz de guitarra que, com muita dificuldade, acompanha os cânticos na sua igreja.


Como equilibrar as nossas expectativas com a realidade da igreja local?


Vou partilhar alguns dos princípios que me têm ajudado ao longo de vários anos no ministério de adoração e louvor.
1. Lembra-te do que é adoração. E também do que não é. Importa recordares que não é a música que dá o sentimento, não é a expressão que determina a atitude, não é a forma que dita o conteúdo. Pelo contrário: o sentimento deve determinar a arte, a atitude de coração é que se traduz numa expressão visível, o conteúdo materializa-se na forma. Guarda isto: adoração não acontece aos domingos de manhã. Adoração acontece continuamente na vida dos santos. Trata-se da atitude constante de oração que Paulo menciona em 1 Tessalonicenses 5:17: "Orai sem cessar"
2. É por isso que adoração não é "fluir"...; não é um fervilhar de emoções; nem é um exercício de meditação para nos ligar à divindade; também não é a prática de um conjunto de rituais litúrgicos. A adoração cristã envolve as emoções, a concentração e é expressa de formas visíveis, mas não se resume a nenhuma delas. Detém-te em Romanos 12:1, 2 e aprofunda o significado da expressão "culto racional", entendendo, mais uma vez, que é o interior - a transformação da nossa vida em obediência à Palvara de Deus - que determina a expressão exterior de adoração, e não o contrário.
3. Ao percebermos que a nossa adoração depende mais do que está dentro de nós do que daquilo que se passa "cá fora", estamos em plena sintonia com a instução de Jesus registada por João (4:24): o Pai procura aqueles que O adoram "em espírito e em verdade". Em espírito porque é uma atitude interior de coração, que não depende de aspectos materiais, e em verdade porque tem que ser autêntica, ou seja, em consonância com toda a nossa vida.
4. Se guardares estes pressupostos como orientadores da tua conduta, tudo o mais ganha a perspectiva correcta. Por exemplo,
  • A música como arte, forma de expressão, depende de aspectos sócio-culturais, é forma; a entrega de vida e a obediência a Deus é conteúdo.
  • O número de pessoas na congregação é forma; a atitude de buscar Deus acima de todas as coisas, na intenção e no desejo de elogiar, de agradecer e de louvar, é conteúdo.
  • A banda ou o grupo de louvor é forma; a santidade de vida de cada um dos seus membros é conteúdo.
Ouvi esta frase há muito tempo e gostaria de aplicá-la neste contexto:
"Nunca guardes no coração o que podes guardar na tua mão".
    Por Luísa Roxo Couto

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Para a glória de Deus e edificação mútua.